A mente humana no seu monitor

Novamente, desculpem-me pela falta de posts. Ando fazendo alguns exames médicos e isso anda causando uma pequena falta de tempo para minhas leituras. Sem falar que arranjei uma namorada, aliás, te amo Fer.

Mas voltando aos comentários sobre o livro “Cultura da Interface” de Steven Johnson, hoje comento o capítulo “Links”. O capítulo é bem denso, em termos de informação, mas destacarei algumas idéias e também usarei uma idéia presente no capítulo de introdução do mesmo livro.

Primeiramente, Johnson afirma que os links ( = irei chamar de hipertexto, que é o sistema definido por links) originaram-se da própria mente humana. A mente humana atua por associações, assim como a sua própria forma estrutural ( = várias regiões do cérebro atuam ligadas em cada atividade mental, ou também na memória, ao associarmos objetos com fatos ou coisas externas).

Nesse ponto, Johnson defende que a associação do hipertexto não deve ser com objetivo de apenas dar coerência a experiência do usuário. Para ele, links devem ir além, ou seja, mostrar caminhos inesperados, oferecer novidade para a navegação do internauta. Acrescenta também que links não são apenas dispositivos de conexão: são pontes que ligam o inimaginável ( = força de expressão minha)

Outro ponto notável é o tratamento dado aos links pelos sites e browsers. Para Johnson, os browsers sempre apresentam inovações em sistema de e-mail, plug-ins funcionais, feeds, mas sempre deixam de lado os links, a parte essencial do processo de rede virtual. O único recurso ligado é o bookmarks (= favoritos), mas não é nada, para Johnson. Ele reclama da falta de um recurso que possibilite o “registro de trilhas de hipertexto”, ou seja, um recurso que documente o caminho traçado por um usuário durante a navegação na Web. O Histórico e o Favoritos não fazem nem o superficial do proposto por Johnson.

Para Johnson, os links só não se assemelham a mente humana por conta disso. Como rever o caminho traçado numa navegação motivada por links? Parece desnecessário a primeira vista, mas há muitas utilidades, como para pesquisa ou até mesmo para orientação. Seria como se fosse um telefone grampeado.

Devo confessar que eu era um dos que esqueceram o valor do link para a atualidade. E, realmente, o link parou no tempo. O processo de hipertexto que temos hoje é o mesmo de 10 anos atrás. Jornais online, que poderiam utilizar tão abrangentemente as possibilidades do hipertexto, apenas criam links de rodapé e (praticamente) passam o jornal impresso para a tela do monitor. Tivemos um grande up com o movimento Wiki, mas ainda vejo que o hipertexto tem cartas na manga, coisas que nem mesmo imagino ( = ou seja, me surpreenderei também). Digo isso porque nossa era é rápida em transformações, tanto tecnológicas quanto de linguagem. E o campo mais propício para esse último é a internet. Mesmo o link estando estático no tempo, não navegamos como em 1999. A interface mudou, o paradigma mudou. E logo o hipertexto vai mudar.

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