As fases da convergência das mídias

Texto retirado da palestra dada para os alunos do segundo ano do curso de Comunicação Social – Midialogia na Unicamp em 27 de abril de 2010.
Atualmente, a discussão sobre convergência midiática tomou novos rumos do que era há dez anos atrás. Com o surgimento da internet e, consequentemente, a implementação de novas tecnologias no consumo da informação, a convergência era questão de tempo para se tornar centro das discussões na comunicação.
Depois do estouro da bolha da internet em 1999, a virada do século foi sinônimo da criação das primeiras idéias mais concretas sobre convergência. Em primeiro momento, com a ampla gama de mídias surgindo (como os celulares), a questão da convergência se focou na análise das novas tecnologias que se apresentaram como “precursoras de novos hábitos de consumo das mídias”. Aparelhos que uniam diversas plataformas, como as televisões com video-cassete acoplado, eram vistas como “todas as mídias em uma”. Eram chamadas de caixas pretas, em alusão a teoria homônima de Vilém Flusser.
Após a consolidação na aplicação da convergência tecnológica, consequentemente surgiram novas formas de recepção de conteúdo nas mídias. Com a expansão da internet, essas formas eram potencializadas. Assim, surgiram inovações no uso dessas novas possibilidades, como vimos na franquia Matrix. Nesse exemplo específico, temos um uso integrado de diversas mídias para formar o universo da franquia. É a completa imersão narrativa que Janet Murray teoriza e o uso da narrativa transmidiática de Henry Jenkins.  
Assim, Matrix consolida um paradigma que começara com Star Wars há muito tempo através do uso disseminado do conteúdo em diversas plataformas. Com isso, percebemos que a centralização tecnológica apenas fortalecia as características intrínsecas de cada mídia. A televisão não deixaria de ser televisão mesmo sendo acoplada a um rádio ou computador. A convergência tecnológica era apenas consequência dos novos tempos, mas os novos hábitos de consumo de mídias eram resultados diretos dessas novas tecnologias. Percebeu-se que, agora, as pessoas consomem informação de diversas mídias e, principalmente, procuram se envolver com o conteúdo, através das novas possibilidades surgidas com a tecnologia.
Com o surgimento do iPhone em 2007, temos um novo marco para os estudos da convergência. Os dispositivos móveis consolidam a convergência tecnológica, pois são as novas caixas pretas, com a mobilidade como valor agregado. Nesse momento, percebemos que a convergência tecnológica amadureceu de vez junto com a idéia de consumo de informação, e não de mídias. Atualmente, não se encara mais a comunicação como formado por mídias e sim por consumo de informação. Isso não quer dizer que não se deve mais olhar as novas e velhas mídias, muito pelo contrário. São essas que produzem conteúdo e dão valor para a informação. Mas o receptor é quem determina os usos e dita novas tendências. É uma relação de simbiose.
Assim, a idéia de convergência agora passa de transmídia para experiência, ou seja, a convergência se faz presente na experiência de contato e interação que existe entre o indivíduo e a informação. Por conta dos avanços tecnológicos e o consumo social de diversas mídias estarem já consolidados*, agora é a hora de se concentrar no indivíduo. A experiência é algo de nível pessoal, que visa a personalização e segmentação. É envolver o receptor na mensagem ou fornecer uma relação diferenciada. Para fechar, um dos exemplos mais ilustrativos dessa nova fase: a idéia de loja-conceito, aqui exemplificada pela Apple Store.

*Consolidados no sentido de estarem amadurecidos no âmbito social, político e econômico. Atualmente, novas mudanças nesses dois aspectos são mais aceitos e encarados de forma mais aberta pelas empresas e sociedade.

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