Post pessoal: um ano como midiálogo no mercado de trabalho.

Vou ter que deixar de lado o assunto que costumo abordar normalmente para deixar registrado aqui minhas impressões depois de um ano formado e, com isso, um ano atuando no mercado de trabalho.

Na real, um ano efetivamente seria em março, quando arranjei meu primeiro emprego em São Paulo, mas estou considerando também o “pós-formatura”, ou seja, indo atrás de trampo, agora formado como bacharel em Midialogia na Unicamp.

Para a curiosidade de todos, nunca fiz estágio. Na faculdade, ganhava uma bolsa por participar de um projeto educacional e isso durou um ano e meio, praticamente (na real, fiquei  participando depois de formado também. Era uma renda legal e que ajudava bastante). Após pegar o diploma, era hora de ir atrás de emprego em São Paulo (sim, já havia botado na cabeça que o esquema era vir para cá mesmo). Aliás, antes disso, uma outra curiosidade: quando fui atrás de estágio, mandei currículo para lugares em Campinas e em São Paulo. Por incrível que pareça, só consegui entrevistas em São Paulo, lugar que seria mais improvável por conta da distância de Campinas. O motivo disso talvez esteja mais a frente no post.

Nos dois meses procurando trampo e vendo meus amigos fazerem o mesmo, percebi uma coisa: sites de emprego não são boas alternativas. Digo isso porque os dois trampos que arranjei foram via Twitter e via contato pessoal, respectivamente. O que eu percebi é que a empresa que joga vagas em sites de emprego quer mesmo é fazer um leilão de quem quer ganhar menos. Isso acontece porque as empresas sabem (e nós sabemos, de certa forma) que quem está desesperado por emprego, vai se cadastrar nesses sites. O lance de “salário a combinar” é bem um traço dessa idéia de leilão. Ou seja, para mim, vaga em sites de emprego costumam ser furadas (lógico que não digo 100%, mas só digo para tomar cuidado e não cair em roubadas).

Mas, na realidade, o pior de você ser submetido a um leilão é você trabalhar que nem um escravo. Você já aceitou receber menos e ainda por cima vai trabalhar até seu limite. Ou seja, para mim, outro ponto para se procurar um trampo é ver a rotina de trabalho. Trabalhar muito, não ter vida social e tempo para você mesmo faz mal até para a saúde física. E, ao meu ver, empresa que faz leilão de mão-de-obra quer dizer que não está ligando muito para a qualidade do trabalho e, por conseguinte, provavelmente não esteja também ligando muito para o bem-estar do empregado.

Então, agora as dicas: todas as vagas legais de trampos eu vi por Twitter ou por Blogs. O perfil @trampos é uma ótima pedida para quem quer trabalhar com comunicação e TI. Entrando no perfil, você vai ver que tem outros perfis semelhantes e segmentados, como o @socialtrampos, que é para vagas em Social Media, ou o @estagios, que é exclusivamente para estágios. Dois blogs muito bons de vagas são o Na Labuta e o Publicijobs, ambos com vagas em comunicação. O Na Labuta, inclusive, posta vagas para Campinas. Na área de vídeo, televisão e cinema, recomendo o Tela Brasileira. Mas o lance mais eficiente é conhecer pessoas. Sim, frequentar muitos congressos, festivais, simpósios, etc. para conhecer/pegar contato de novas pessoas. Elas podem ser sua porta de entrada para um emprego (no meu caso, para um segundo emprego).

Outro ponto interessante é que, na minha opinião, o modo CLT de contratação é o que possui melhores benefícios. Você receberá menos que o modo PJ, mas você possui um abrigo do Estado que compensa tudo. Você tem direitos a férias remuneradas após um ano de contrato, seguro desemprego, benefícios como vale alimentação e transporte, etc. O modo PJ (Pessoa Jurídica) você ganha bem mais, só que não tem garantia nenhuma. É como se você fosse uma empresa (já que você teria CNPJ) e estivesse prestando serviço para outra empresa. Se quiserem te demitir, seria como se você cancelasse sua conta de internet. Em compensação, com PJ você fica mais atraente para trabalhos freelancer. Muitas empresas grandes só contratam freelas se eles tiverem CNPJ, para que elas possam descontar Nota Fiscal em suas contabilidades. Então, se você tem em mente fazer freelas, abra um CNPJ.

Bom, passada a fase de procurar emprego e conseguir o meu primeiro graças ao Twitter e via @trampos, comecei a efetivamente perceber como é o ambiente profissional. Nos dois empregos que fui, percebi que a liberdade é algo que prezo muito. Nos dois, o compromisso era com a performance e eficiência, não com o tempo e horário. Sou cobrado pelo que devo fazer. Se faço o trabalho em duas horas, ao invés de oito, ótimo: fico seis horas de folga. Não preciso cumprir rigidamente os horários, mas devo fazer as coisas no tempo combinado. Just it.

Essa política de se cobrar por performance é derivada de uma necessidade, ao meu ver. O que eu percebi é que existe uma falta maciça de profissionais bons na área de comunicação. Profissionais que saiam do lugar comum (ou que tenham potencial para isso). Mas essa falta é sentida apenas por empresas inovadoras, grandes, que fazem diferente. Ou seja, basicamente estou dizendo que existe um abismo muito grande entre empresas de São Paulo e capitais em comparação com outras cidades. E o abismo é maior do que você pensa. Por isso que digo para todos meus amigos virem trabalhar na maior cidade do Brasil.

Sendo assim, se já é difícil encontrar bons profissionais por aí, uma empresa séria tem que manter o que ela possui. E, para isso, existem políticas de incentivo e bem-estar/qualidade de vida (ou, no caso citado acima, na mudança de políticas). Já vi diversos casos que a pessoa podia ganhar muito mais dinheiro em outra empresa, mas preferiu ficar por conta de como ela se sentia no ambiente. Isso realmente é bem compensador para a empresa.

No segundo emprego, também tive oportunidade de vivenciar um processo de emprego, mas eu sendo apenas um espectador. Vi como se pensa a descrição de vaga, o que se delineia para um perfil, como será feito o processo e, finalmente, observar, do lado de fora, como eram as entrevistas. E, o que eu percebi, é que cada pessoa tem um valor. Se você não for escolhido para uma vaga, não é que você seja ruim ou insuficiente: o seu valor não é compatível com o que a empresa procura. Esse valor pode ser em termos de perfil e também financeiro. Já vi pessoas que não eram chamadas para entrevista justamente porque seu currículo/valor era muito elevado. Era a mesma coisa de se chamar um pós-doutorado para uma vaga de analista júnior.

Bom, acho que deu para resumir o meu ano, restringindo-se somente a vivência no mercado de trabalho. Semana que vem volto com a ementa normal.

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