Paradoxo do Aniversário e a individualização de um grupo

Estou lendo o livro “Here Comes Everybody“, de Clay Shirky (autor já citado aqui no blog) e uma das idéias que achei muito bacana no livro foi sobre a teoria do “Paradoxo do Aniversário“.

Essa teoria diz que, num grupo de 23 ou mais pessoas, a chance de duas pessoas fazerem aniversário no mesmo dia é de mais de 50%. Se for acima de 57 pessoas, a probabilidade aumenta para 99%. O paradoxo reside no fato de que se uma pessoa apostar com você que, em um grupo de 23 pessoas, duas pessoas não fazem aniversário no mesmo dia, você, sem pestanejar, não apostaria com ela. Mas, pela matemática envolvida, as chances são maiores para que você se dê bem.

Isso acontece porque tendemos a enxergar um grupo como um indivíduo. Nós “individualizamos” um grupo, tornando como algo definido, uma massa homogênea. Isso obviamente está errado. Um grupo é dinâmico, composto de diversas pessoas, conectados por nós e conexões. Um grupo não é a soma de indivíduos: é uma síntese, ou seja, forma algo novo, muitas vezes inesperado. A Wikipedia está aí para exemplificar. Quem diria, há dez anos atrás, que uma enciclopédia, sem fins lucrativos e baseado no crowdsourcing, seria um sucesso?

Com a ascensão das redes sociais e da inteligência coletiva, estamos começando a criar a cultura de “não-individualizar” os grupos e enxergar o poder coletivo. Já é um grande passo. Mas, enquanto persistirem as idéias de audiência massiva homogênea, de enxergar os grandes volumes e esquecer da “cauda longa“, de reviver a “agulha hipodérmica“, ficará mais difícil criar essa nova visão.

Abaixo, destaco algumas referências sobre o livro de Clay Shirky:

um verbete na Wikipedia falando dos principais pontos do livro.
um comentário bem interessante da Escola de Redes sobre o livro.

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