Influenciadores sob o olhar de Bourdieu

(imagem adquirida no blog insightee)

Pierre Bourdieu é um dos maiores pensadores do século XX pelos seus estudos dentro do campo da sociologia. É um dos principais autores quando falamos de desigualdade social e econômica, além de outras contribuições dentro do estudo da sociedade.

É no tema desigualdade que Bourdieu construiu sua teoria sobre capital social. Aqui há uma boa explicação sobre toda teoria que ele desenvolveu, mas vou direcionar esse olhar para a área de influenciadores. Bourdieu define capital social como composto de três aspectos: elementos constitutivos; os benefícios obtidos pelo indivíduo mediante sua participação em grupos ou redes sociais e as formas de reprodução deste tipo de capital. Os dois elementos que constituem o capital social são as redes de relações sociais, que permitem aos indivíduos ter acesso aos recursos dos membros do grupo ou da rede, e a quantidade e a qualidade de recursos do grupo.

Adaptando para minhas pesquisas, uma pessoa dotada de grande capital social pode ser o que chamo de BROADCASTER ou CONECTOR (para ver minha tipologia de influenciadores, veja aqui). Se o indivíduo consegue ecoar rapidamente sua mensagem (formas de reprodução) e toda sua audiência é constituída em torno de sua imagem (elementos constitutivos), podemos dizer que é um BROADCASTER. Se o indivíduo possui conexões com outros indivíduos com grande capital social também (elementos constitutivos) e também é reconhecido entre seus pares graças a essa sua rede de contatos (benefícios obtidos), podemos dizer que é um CONECTOR.

Outro conceito que Bourdieu desenvolveu é o de capital cultural. No seu entendimento, o capital cultural pode existir sob três formas: no estado incorporado, no estado objetivado e no estado institucionalizado. No primeiro, seria basicamente o que “vem do berço”, por exemplo, um filho de um músico consagrado já possui incorporado esse “selo” de qualidade caso comece a carreira na área de música. No segundo, seriam “sinais” que o indivíduo demonstra e que nos mostram o domínio cultural ou autoridade sobre o assunto. No último, seria a educação formal e certificação do indivíduo, ou seja, os diplomas, certificações e títulos que possui.

Uma pessoa dotada de muito capital cultural seria o que chamo de LEGITIMADOR. Basicamente, ser reconhecido como uma autoridade, sendo em um dos três estados do capital cultural, já é o suficiente para entendermos que estamos lidando com um legitimador.

Há ainda o terceiro tipo de capital: econômico. Seria basicamente as pessoas com grande acúmulo de riqueza e que são reconhecidas por isso. Os outros dois capitais (social e cultural) acabam contribuindo para a formação de capital econômico: influenciadores ganham muito dinheiro ou bens devido a sua influência nas mídias sociais.

Para mais leituras acadêmicas sobre influenciadores, recomendo o grupo COM+ da ECA-USP. Inclusive aproveita e veja a apresentação que fiz no Terceiro Encontro COM+ para falar de influenciadores.